Ainda me habituando à nova casinha virtual.
Sete anos de blog...quando comecei o Meio do Caminho, estava na correria dos preparativos de uma viagem de estudos, no meio do doutorado, para Chicago. O blog foi pra lá, voltou, enfrentou depois um estágio em Pisa, uma tese sobre ilustrações do Inferno de Dante, um problema sério de saúde, uma separação, paixões mal-sucedidas, concursos mal-fadados e uma depressão. No meio do caminho disso tudo, tinha o Nel Mezzo del Camino, e depois de algumas noites dormindo mal, ganhei dos poucos mas sempre fiéis leitores um apelido: surgia a panda, gordinha, branquinha, com olheiras imensas, em extinção e alugada pelo governo chinês.
Muita coisa boa o blog acompanhou também: além de viagens, amizades, o início da carreira de docente, o amor por Dante, pela História da Arte e da Arquitetura, pela música pop dos anos 80 e receitas culinárias, e até surgiram polêmicas, gente copiando, ciúmes e debates. Nos dois últimos anos, porém, senti a coisa esgotar. Ficava meses sem postar, o que causava a revolta dos tais poucos e fiéis leitores. Teve uma hora que achei, mesmo, que minha carreira de blogueira estava ligada à uma fase da vida, e, passada esta, não teria mais nada a dizer.
Sete anos atrás, a rede social era o Orkut, não existia smartphone, skype, i-pad, i-phone e o primeiro i-pod, comprado em Chicago, o Neguinho do Pastoreio, durou mais que a primeira máquina digital, a Porpetta. Não migrei pro Twitter; confesso que alguns barracos lá me assustaram. Pro Facebook eu fui, e as confusões das redes sociais me deixaram pensando... nos últimos tempos, queria postar mais, escrever mais... queria falar coisas, voltar a escrever. Depois da tese, escrevi artigos e palestras, textos rápidos, traduzi bastamte, mas escrever, escrever mesmo, tá meio emperrado.
A vontade de escrever até me levou a considerar, uns tempos atrás, abrir uma conta no Twitter, mas o receio do barraco ainda é forte; e a consciência que não posso entupir o feed de notícias de ninguém (com a quantidade de citações, traduções, textinhos auto-biográficos, crônicas diversas,análises da política mundial, nacional e do campeonato brasileiro, receitas de bolo de fubá, imagens de pinturas, edifícios, coleções de iconografias do Inferno, declarações apaixonadas a Dante Alighieri e a busca pelos significados de Menina Veneno, do Ritchie, dentre otras cositas más, que ainda e sempre povoam a mente da pobre panda) me fizeram voltar atrás na decisão de não ser mais uma blogueira. Percebi que era hora de mudar. Não sei ainda o que vai ser do velho Meio; tenho por ele um carinho inabalável...mas também estava inviável um blog com posts de 2005...era uma outra pessoa escrevendo, e ainda a mesma, muito auto-crítica e rabugenta. Algumas coisas não mudam, não. Mas estou feliz com o céu oriental de safira (verso 13 do primeiro canto Purgatório de Dante, quando o vate avista o céu do hemisfério sul). Agora é hora de subir a montanha do Paraíso Terreal.
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