quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Novidades

Não sou uma pessoa que lida bem com novidades.
Mas até eu, velhota e ranzinza por natureza, preciso de mudanças. Esses dias, andei pensando que um dos principais desafios que enfrento é que, por amor à rotina, acabo tolerando até o talo situações meio complicadas. Depois meu coração fica saturado, cansadíssimo, e eu fico brava comigo mesma, por ter suportado aquele martírio por tanto tempo.
Enfim. E as coisas mudam, mesmo com o meu apego, nostalgia e dificuldade de lidar com o novo.Sinto falta de tanta gente, de tanta coisa...pra mim as coisas mudariam o mínimo. Mas não dá pra ser assim.
Falei com um amigo querido essa semana, que às vezes os tempos se misturam na minha cabeça... eu ando pela rua e sinto a fisgada de um sonho de 2010... outro de 2003 aparece, assim como uma lembrança, uma ideia, um projeto, um desejo, uma alegria, um plano diabólico e outro nem tão diabólico assim. E a saudade de fulano. A saudade de beltrano. O dia em que sicrano me encontrou no Café Regina. A cara de alegria da filhinha da amiga, quando chegou na minha casa e tinha uma boneca de pano esperando por ela, sentada no sofá da sala.
Isso às vezes me deixa uma pessoa triste, com um peso muito grande no peito. Faz pouco tempo, me ocorreu que eu podia fazer um acordo comigo mesma: trocar uma lembrança antiga por uma experiência nova em folha. Uma dor, uma ausência, por algo tinindo, reluzente... cheguei a escrever algo assim pro Meio do Caminho, ano passado. Será que eu consigo, passar por cima dessa memória tão infalível quanto seletiva, tão terrível pra lembrar do dolorido mas tão ineficiente pra guardar o contentamento? É preciso tentar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário