Sou uma pessoa de sorte. Tenho saúde, trabalho no que amo, família excelente e amigos de verdade. Minhas amigas são as irmãs que não tive: queridíssimas, me apóiam em tudo. Me sinto amada e feliz, por ter as encontrado. Uma delas, a flower, teve durante muito tempo um debate sério comigo. Segundo minha florzinha-irmã, ex bom é ex morto. Ponto. Pra ela, não dá pra ser amiga de ex-namorado, de ex-rolo, ex-ficante, ex-paixão platônica, ex-qualquer coisa que tenha envolvido sexo, amor, paixão ou as três coisas juntas.Eu nunca concordei com ela, e sempre argumentava, dizendo que eu conseguia manter um bom relacionamento com os homens com os quais me envolvi, ou gostei, ou sei lá o quê ( vocês me entendem).
Achava que a pequena flor, bem mais passional e impulsiva que eu, nesse ponto era menos razoável. Sempre me considerei a melhor das ex: eu sumo. Não ligo, não escrevo, não envio SMS, não dedico post em blog, não chamo pra conversar em chat e não curto nada, NADA, do que os indivíduos postam no Facebook. Simplesmente, não me meto na vida deles. Respeito o espaço sagrado das atuais. Não encontro ninguém, não mando nem Feliz Natal. Se o cara me procura, por alguma eventualidade ou outra, sou cordial e gentil, mas não me alongo em nada. Dessa forma, eu pensava, dava pra tê-los em círculos virtuais, compartilhar amizades, espaços profissionais e sociais, com dignidade e até um certo laço de respeito.
Pois bem, meus caros leitores.Agora vai. Declaro, para os devidos fins, que a flower estava completamente certa. Não dá pra ser amiga de ex. Ainda mais dos meus, que conseguem ser péssimos na manutenção de relacionamento social, distante, esporádico e virtual, sempre ocasionado pela iniciativa deles, diga-se de passagem.
Começou que meu feed de notícias foi soterrado de fotos, status de foursquare, twitters, fotos no instagram e toda a parafernália virtual, que as atuais produzem a todo momento, pra mostrar a felicidade suprema vivida ao lado destes supracitados cidadãos. Entendo que a felicidade no amor é a coisa mais linda do mundo, e que tem que ser espalhada mesmo. Entendo que, pra elas, eu devo estar entre os flagelos que Deus largou neste mundo sub-lunar, como os maremotos, as pestes, a música do Michel Teló e a carga tributária brasileira. Entendo que minha mágoa, ressentimento, inveja, saudade ou despeito podem também afetar a minha leitura de certos acontecimentos. Compreendendo todos esses quesitos, por meses e meses a fio fui brindada com todo tipo de informação a respeito dos atuais relacionamentos: jantares, almoços, viagens, etc. e etc.
Percebi que aquilo estava me deixando triste. Por mais que eu entenda que acabou, por motivos vários, que deseje a felicidade de meus semelhantes, e que me esforce ao máximo para não desmentir Jean-Jacques Rousseau, considerei que até o filósofo suíço chegaria à conclusão que aquilo era demais para a manutenção da crença na bondade humana. Pensei no legado de Dante e resolvi retirar do meu feed tal noticiário.
O alívio foi muito grande; sei que as criaturas estão vivas, e só. Desejo toda a felicidade, amor e sorte do mundo pra eles; ouvi um pouco de Adele, chorei e boas.
Mas não! Chega email com rolo mal resolvido de trabalho; vou, e com toda a delicadeza do mundo, resolvo, sem entrar em maiores detalhes; resolvido o pepino, nada mais. Mas não! Chega curtida em status aleatório. Ignoro. Telefonema! Trato bem mas gasto em torno de 2 minutos numa conversação tão educada quanto insípida. Chega comentário engraçadinho, e mais um monte de pequenos transtornos.
Pensei em fechar meu perfil, transformá-lo num verdadeiro túmulo do samba, pra ver se as atuais, entre um post e outro, foto no instagram e viagens cheias de amor e comentadas à exaustão, não tendo mais acesso à nenhuma informação da minha panda pessoa, cada vez mais de saco cheio desses dramas de classe média brasileira, sosseguem o facho e façam dos meus ex os homens mais felizes do mundo. Um querido, ex-aluno e agora amigo, mandou a letra: pra que você tem que se esconder ainda mais? Você taí na sua, lendo Dante e costurando gatinhos. Nada, nada na minha vida, em todos os aspectos, é absolutamente relevante e interessante pra essas senhoritas. Quanto a eles, enfim. Faço votos sinceros que a gente se encontre na fila do Juízo Final.
hahahahaha... eu já revi várias das minhas convicções, mas dessa, de fato, não abri mão ainda.
ResponderExcluirMe diverti muito com seu blog novo.
Gente, que saudades!!!!
Quem sabe nesse ano não consigo voltar a escrever também...
Beijo grande e feliz 2013 pra todos nós.
Dani
Ia ser legal hein, flower, a gente voltar à era dos blogs! Saudade dos papos intermináveis do msn, no meio da tese.
ResponderExcluirDe fato, declaro pra todos os fins, publicamente: flower, vc tava completamente CERTA. <3 Beijoss.