quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ex

Sou uma pessoa de sorte. Tenho saúde, trabalho no que amo, família excelente e amigos de verdade. Minhas amigas são as irmãs que não tive: queridíssimas, me apóiam em tudo. Me sinto amada e feliz, por ter as encontrado. Uma delas, a flower, teve durante muito tempo um debate sério comigo. Segundo minha florzinha-irmã, ex bom é ex morto. Ponto. Pra ela, não dá pra ser amiga de ex-namorado, de ex-rolo, ex-ficante, ex-paixão platônica, ex-qualquer coisa que tenha envolvido sexo, amor, paixão ou as três coisas juntas.Eu nunca concordei com ela, e sempre argumentava, dizendo que eu conseguia manter um bom relacionamento com os homens com os quais me envolvi, ou gostei, ou sei lá o quê ( vocês me entendem). 
Achava que a pequena flor, bem mais passional e impulsiva que eu, nesse ponto era menos razoável. Sempre me considerei a melhor das ex: eu sumo. Não ligo, não escrevo, não envio SMS, não dedico post em blog, não chamo pra conversar em chat e não curto nada, NADA, do que os indivíduos postam no Facebook. Simplesmente, não me meto na vida deles. Respeito o espaço sagrado das atuais. Não encontro ninguém, não mando nem Feliz Natal. Se o cara me procura, por alguma eventualidade ou outra, sou cordial e gentil, mas não me alongo em nada. Dessa forma, eu pensava, dava pra tê-los em círculos virtuais, compartilhar amizades, espaços profissionais e sociais, com dignidade e até um certo laço de respeito.
Pois bem, meus caros leitores.Agora vai. Declaro, para os devidos fins, que a flower estava completamente certa. Não dá pra ser amiga de ex. Ainda mais dos meus, que conseguem ser péssimos na manutenção de relacionamento social, distante, esporádico e virtual, sempre ocasionado pela iniciativa deles, diga-se de passagem.
Começou que meu feed de notícias foi soterrado de fotos, status de foursquare, twitters, fotos no instagram e toda a parafernália virtual, que as atuais produzem a todo momento, pra mostrar a felicidade suprema vivida ao lado destes supracitados cidadãos. Entendo que a felicidade no amor é a coisa mais linda do mundo, e que tem que ser espalhada mesmo. Entendo que, pra elas, eu devo estar entre os flagelos que Deus largou neste mundo sub-lunar, como os maremotos, as pestes, a música do Michel Teló e a carga tributária brasileira. Entendo que minha mágoa, ressentimento, inveja, saudade ou despeito podem também afetar a minha leitura de certos acontecimentos. Compreendendo todos esses quesitos, por meses e meses a fio fui brindada com todo tipo de informação a respeito dos atuais relacionamentos: jantares, almoços, viagens, etc. e etc.
Percebi que aquilo estava me deixando triste. Por mais que eu entenda que acabou, por motivos vários, que deseje a felicidade de meus semelhantes, e que me esforce ao máximo para não desmentir Jean-Jacques Rousseau, considerei que até o filósofo suíço chegaria à conclusão que aquilo era demais para a manutenção da crença na bondade humana. Pensei no legado de Dante e resolvi retirar do meu feed tal noticiário.
O alívio foi muito grande; sei que as criaturas estão vivas, e só. Desejo toda a felicidade, amor e sorte do mundo pra eles; ouvi um pouco de Adele, chorei e boas. 
Mas não! Chega email com rolo mal resolvido de trabalho; vou, e com toda a delicadeza do mundo, resolvo, sem entrar em maiores detalhes; resolvido o pepino, nada mais. Mas não! Chega curtida em status aleatório. Ignoro. Telefonema! Trato bem mas gasto em torno de 2 minutos numa conversação tão educada quanto insípida. Chega comentário engraçadinho, e mais um monte de pequenos transtornos.
Pensei em fechar meu perfil, transformá-lo num verdadeiro túmulo do samba, pra ver se as atuais, entre um post e outro, foto no instagram e viagens cheias de amor e comentadas à exaustão, não tendo mais acesso à nenhuma informação da minha panda pessoa, cada vez mais de saco cheio desses dramas de classe média brasileira, sosseguem o facho e façam dos meus ex os homens mais felizes do mundo. Um querido, ex-aluno e agora amigo, mandou a letra: pra que você tem que se esconder ainda mais? Você taí na sua, lendo Dante e costurando gatinhos. Nada, nada na minha vida, em todos os aspectos, é absolutamente relevante e interessante pra essas senhoritas. Quanto a eles, enfim. Faço votos sinceros que a gente se encontre na fila do Juízo Final.

2 comentários:

  1. hahahahaha... eu já revi várias das minhas convicções, mas dessa, de fato, não abri mão ainda.

    Me diverti muito com seu blog novo.
    Gente, que saudades!!!!

    Quem sabe nesse ano não consigo voltar a escrever também...

    Beijo grande e feliz 2013 pra todos nós.

    Dani

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  2. Ia ser legal hein, flower, a gente voltar à era dos blogs! Saudade dos papos intermináveis do msn, no meio da tese.
    De fato, declaro pra todos os fins, publicamente: flower, vc tava completamente CERTA. <3 Beijoss.

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